segunda-feira, 19 de maio de 2008

Soneto de Manhã


Abro os olhos, levanto com espanto
Lavo o rosto e canto o meu pranto
Rir da tristeza e execrar a beleza
Odor fétido de café na mesa

Apronto-me, limpo como um tonto
Atrasado para nada, nove em ponto!
Arruinado, penso ser útil, inútil!
Em vão ser igual a todos, fútil...

Sapato furados, rasgados, achados...
Tesouros que encontrei no lixo,
Pouco para eles, para mim, calçados...

Guiam-me para o meio dia
Levam-me para lugar nenhum
Destino de uma mente vadia.


São Paulo, manhã ruim do dia 28 de março de 2008.

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